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Estilos de parentalidade emocional

Atualizado: 28 de mar.

Por Gi Bauxita, Criação com Ciência


Como você lida com os sentimentos dos seus filhos e com seus próprios sentimentos?


Segundo o livro “Inteligência emocional e a arte de educar nossos filhos”, existem quatro estilos de pais no que diz respeito sobre a forma como encaram e guiam (ou não) os filhos do ponto de vista emocional: pais simplistas, pais desaprovadores, pais “laissez-faire” e pais preparadores emocionais.


Conheça abaixo os quatro tipos!


Pais simplistas

Os pais, mães e demais cuidadores simplistas acreditam que emoções negativas ou desagradáveis não devam ser sentidas. Eles normalmente aprenderam na infância que precisavam ser "fortes" e "maduros" para lidar com situações estressantes, como no caso de um pai com problemas com álcool, por exemplo.


Ainda, sentem-se na obrigação de consertar as coisas e de resolver a causa das emoções desagradáveis dos filhos.


Por não se permitirem sentir, não sabem lidar com as emoções das crianças. A tristeza, a irritação ou mesmo uma manifestação de raiva os incomoda profundamente, pois sentem que estão falhando e que precisam encerrar aquele comportamento o mais rápido possível.


Exemplos de frases de pais simplistas


- Dão mais importância à superação do que à emoção em si

"Já passou, não precisa chorar."

"Olha como você é forte, nem chorou."


- Acreditam que uma criança com emoções negativas está desajustada

"Acho que essa criança precisa de algum remédio."


- Não dão importância aos sentimentos da criança

"Que bobagem chorar por causa de um brinquedo que quebrou, você tem outros."


- São capazes de ridicularizar ou menosprezar as emoções da criança

"Isso, vai. Chora mais. Agora quero ver você chorar."


- Costumam distrair a criança para tentar fazê-la esquecer da emoção

"Olha, pega esse bombom, olha o céu azul. Você não pode ficar com raiva assim que faz mal. Esquece isso."


- Acham que sentir emoções negativas só deixa tudo pior

"Vamos deixar de frescura que tem gente muito pior."


- Acreditam que emoções negativas sã tóxicas e devem ser evitadas a qualquer custo

"A gente não tem motivo pra ficar triste. A gente só tem a agradecer."


- Acham que emoções negativas da criança depõem contra a educação dos pais

"O mundo ta ficando muito chato. Geração mimimi."


O filho de pais simplistas


A longo prazo, essa criança passa a entender que há algo inerentemente errado com o fato de sentir determinadas emoções, julgando-se e lutando contra os próprios sentimentos. Via de regra, sente-se inadequada por ter certos sentimentos.

No futuro, costumam ser pessoas com dificuldades em compreender como se sentem e como podem lidar com isso.



Pais desaprovadores

Os pais desaprovadores são semelhantes aos simplistas, com algumas distinções: são extremamente críticos e lhes falta empatia quando falam das emoções dos filhos.


Além de rejeitarem, ignorarem, banalizarem as emoções "negativas" dos filhos, tendem a castigar a criança quando ela apresenta sentimentos como raiva, medo ou tristeza. Ao invés de buscarem a compreensão das emoções da criança, focam no comportamento em consequência da emoção. Preocupam-se muito com a obediência e os bons padrões de comportamento


Exemplos de frases de Pais desaprovadores


- Julgam e criticam as emoções dos filhos

"Deixe de palhaçada que isso não é razão para ficar triste.


- Repreendem e castigam a criança por suas manifestações emocionais, independente do comportamento da criança

"Vou te dar um motivo para chorar de verdade."


- Acham que as emoções enfraquecem as pessoas

"Você tem que ser forte./ Homem não chora."


- Acreditam que apenas motivos específicos e pré-determinados podem causar certas emoções (principalmente tristeza)

"Pode ficar triste pelo cachorro que morreu, mas não pelo brinquedo que quebrou."


- Acreditam que a criança usa as emoções negativas para manipular, provocando disputa de poder

"Pode enxugar essas lágrimas de crocodilo, você não me convence."


- Acreditam que emoções negativas devem ter limite de tempo

"Agora chega, passou."


- Estão preocupados demais com a necessidade de controlar os filhos

"Quem manda aqui sou eu."


O filhos dos Pais desaprovadores


A longo prazo, essa criança passa a entender que há algo inerentemente errado com o fato de sentir determinadas emoções, julgando-se e lutando contra os próprios sentimentos. Via de regra, sente-se inadequada por ter certas emoções.

No futuro, costumam ser pessoas não empáticas e com dificuldades em compreender como se sentem e o que isso provoca, não sabendo como podem lidar com isso.



Pais "Laissez-faire"

Sabe aquela máxima “deixa chorar?” É isso que os pais laissez-faire fazem: absolutamente nada além de deixar a criança se expressar num choro infinito. Será que isso traz habilidades emocionais? A resposta é “Não”. Vamos entender por quê.


Diferentes dos pais simplistas e dos desaprovadores, os pais Laissez-faire (deixe que façam) mostram aceitar qualquer emoção de seus filhos, ansiosos para acolhê-los incondicionalmente.


Eles demonstram empatia pelas emoções de seus filhos e demonstram isso. O grande problema desse estilo parental é que normalmente um pai ou uma mãe laissez-faire não costuma ter disposição ou repertório para orientar sua criança sobre como lidar com os sentimentos.

Assim, acreditam que deixar desabafar do jeito que for é o caminho e se tornam permissivos, deixando que a criança quebre coisas e machuque pessoas com palavras e ações.


Os pais laissez-faire muitas vezes agem assim em resposta à uma infância de emoções reprimidas e acreditam que deixar a criança fazer o que quiser e expressar as emoções como puder é um bom caminho.

Alguns vídeos no YouTube mostram pais que deixam os filhos chorarem eternamente sem acolhê-los em nenhum momento. Pode parecer uma paciência infinita, mas não está ajudando a criança. Já viu algo assim?

Exemplos de frases de Pais "Laissez-faire"


- Aceitam qualquer expressão de emoção por parte da criança. São permissivos e não impõem limites

"Outro dia meu filho quebrou meu celular porque estava com raiva."


- Não orientam a criança sobre as emoções

"Deixo que ele desabafe como quiser, às vezes ele fica bastante agressivo. Então eu espero passar.”


- Não ajudam a criança a resolver problemas . Não ensinam formas para que a criança se equilibre emocionalmente e acreditam que administrar emoções "negativas" é pura questão de liberá-las

"Quando o choro ou a raiva vem, eu deixo que meu filho desabafe como precisar. Nem que seja quebrando coisas"


O filho de Pais "Laissez-faire"


A longo prazo, essa criança não aprende a regular suas emoções ou lidar com sentimentos desagradáveis. Acabam tendo muita dificuldade em se concentrar, em administrar as próprias frustrações e a lidar com as necessidades dos outros.

Apresenta dificuldade em fazer amizades e a se relacionar.

Ironicamente, a postura de aceitar qualquer coisa, acaba deixando a criança sem nenhuma orientação sobre como lidar com as próprias emoções (principalmente as emoções desagradáveis como raiva, irritação, tristeza...).

Dessa forma, acabam em situação equivalente às dos filhos dos pais desaprovadores/simplistas, com uma inteligência emocional falha, despreparado para o mundo.


Pais preparadores emocionais

Os pais preparadores emocionais podem se parecer aos laissez-faire, no sentido de aceitar incondicionalmente as emoções dos filhos.


A diferença principal entre ambos é que os preparadores emocionais orientam

os filhos através do universo das emoções. Além de aceitar, eles também ensinam os filhos a lidar com situações e a se regular, encontrando formas apropriadas para extravasar e resolver problemas.


Os pais preparadores emocionais são muito conscientes de suas emoções e das emoções das pessoas próximas. Ainda, reconhecem que todas as emoções têm a sua importância/utilidade, mesmo aquelas consideradas "negativas" como tristeza, raiva e medo.


Essencialmente, usam os momentos de emoção para:

- escutar a criança

- mostrar empatia e acolhimento

- ajudar a criança a nomear como se sente

- orientar como a criança pode lidar com situações difíceis/ de forte emoção

- colocar limites e mostrar o que é aceitável na manifestação da emoção

- ensinar possibilidades para resolver problemas


Exemplos de frases de Pais preparadores emocionais


- Veem emoções desagradáveis como oportunidade de conexão

"Vejo que você está com raiva, como posso ajudar?"


- Notam que emoções "negativas" são oportunidade de aprendizado

"Você tem todo direito de se sentir frustrado, mas jogar as coisas no chão não é uma opção respeitosa. Vamos respirar juntos para que se acalme."


- Têm boa autopercepção quanto às próprias emoções

"Estou me sentindo irritada, por favor me dê um tempo."


- Compartilham as próprias emoções com as crianças

"Me sinto ansiosa porque estou esperando uma resposta e ela está demorando para chegar."/ "Estou muito feliz pelo projeto que consegui concluir. Vamos comemorar?"


- Nunca dizem como a criança pode ou não se sentir

"Tudo bem ficar triste/com raiva às vezes."


- Acolhem a criança em suas emoções sem ridicularizá-la

"Vejo que você está triste pelo seu brinquedo que quebrou, você quer um abraço?"


- Não acham que precisam resolver todos os problemas para a criança

"Essas coisas são chatas mesmo. Eu também estaria frustrada em seu lugar. Se precisar de mim estou aqui."


- São sensíveis aos estados emocionais da criança, mesmo os mais sutis

"Percebo que você está irritado, aconteceu alguma coisa na escola?"


O filho de Pais preparadores emocionais


A longo prazo, essa criança passa a confiar em sua percepção de sentimentos e emoções, permitindo-se sentir sem julgamento. Também conseguirá regular sua resposta frente aos momentos desafiadores e terá mais facilidade para resolver problemas.

A tendência é que apresente melhor autoestima e habilidade para se relacionar com as pessoas.


Artigo enviado por Criação com Ciência - @criacaocomciencia

Imagem: WIX


Sobre a empresa

A empresa Criação com Ciência tem como foco principal o desenvolvimento da inteligência emocional nas empresas, nas escolas e nos núcleos familiares. Atualmente, trabalhamos a educação emocional, parte essencial das "soft skills", em diferentes ambientes por meio de mentorias, palestras, cursos e desenvolvimento de produtos.


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